quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Filme: Precisamos Falar Sobre o Kevin

Título Original: We Need To Talk About Kevin
Lançamento: Inglaterra - 2011
Elenco: Tilda Swinton, John C. Reilly, Ezra Miller, Siobahn Fallon.
Direção: Lynne Ramsay

Sinopse: Eva (Tilda Swinton) mora sozinha e teve sua casa e carro pintados de vermelho. Maltratada nas ruas, ela tenta recomeçar a vida com um novo emprego e vive temorosa, evitando as pessoas. O motivo desta situação vem de seu passado, da época em que era casada com Franklin (John C. Reilly), com quem teve dois filhos: Kevin (Jasper Newell/Ezra Miller) e Lucy (Ursula Parker). Seu relacionamento com o primogênito, Kevin, sempre foi complicado, desde quando ele era bebê. Com o tempo a situação foi se agravando mas, mesmo conhecendo o filho muito bem, Eva jamais imaginaria do que ele seria capaz de fazer.

Crítica: Falar desse filme me dá arrepios. Quem comentou comigo sobre ele foi minha mãe já que gosto bastante de assuntos ligados a socio/psicopatas e resolvi assistir. 

 Posso dizer que há tempos não via algo que me deixasse tão perturbada. Fiquei confusa e assustada como se tivesse visto um filme de terror, sendo que não o é. Tive inclusive problemas para dormir pensando nele. 

 Pode parecer exagero mas se alguém está em dúvida entre ter filhos ou não, garanto que desiste da ideia após vê-lo. Eu que não tenho confesso que parei e muito para pensar sobre isso. Quero e muito ter filhos mas que refleti muito sobre isso é fato.

 Baseado no livro homônimo da escritora Lionel Shriver a história é focada em Kevin, um sociopata que assim é porque assim nasceu. Não há qualquer justificativa para isso: sua família sempre fora amorosa, atenciosa e presente e sua mãe buscava por toda a vida enchê-lo de carinho e mesmo assim nada funcionava, nem quando era apenas um bebê. Na frente do pai (um típico "bananão" apático) Kevin era o exemplo de filho, longe dele um verdadeiro MONSTRO! E quando a mãe buscava conversar com o pai sobre suas atitudes este passava a mão na cabeça do filho, afinal de contas para ele, Kevin era um anjo. Esse é o motivo do nome do livro eis que se os pais tivessem sentado e "falado sobre o Kevin" talvez o desfecho da história não seria trágica e brutal como fora. A falta de diálogo foi essencial tanto entre os pais quanto para com o próprio Kevin.

 O filme é contado em flashback e no início ficamos confusos mas depois tudo se encaixa. Não sei como Tilda Swinton e Ezra Miller não foram indicados ao Oscar. Há tempos não via interpretações tão intensas e tão impecáveis em especial do Erza que nunca havia visto em nenhum filme: ele consegue passar asco e raiva ao espectador de uma maneira imensurável! Só de ver fotos dele fico com frio na espinha. 


 O difícil relacionamento entre mãe e filho é mostrado através de cenas magistrais que retratam a esperança de Eva em ser aceita por Kevin de forma que o carinho que ela sentia aos poucos se torna temor, em especial quando o filho torna-se adolescente. Lembrou-me o personagem Damien de A Profecia.

 Precisamos Falar Sobre o Kevin é um filme assustadoramente real. Sou uma pessoa que já estudou muito sobre psicopatia e tenho inclusive vários livros sobre o assunto e posso afirmar que isso é um distúrbio que faz com que estas pessoas nasçam com o cérebro formado de maneira diferente que as pessoas comuns e pode piorar conforme a estrutura familiar e ambiente em que vive ou pode simplesmente se manifestar sem a família ter culpa nisso, como nesse caso.  Partindo dessa premissa, qualquer um está propenso a ter em sua vida um "Kevin" com sua frieza, indiferença e apatia às pessoas. Pesquisando mais a fundo podemos ver que o filme trata de uma triste realidade de nossa sociedade e isso é apavorante.

 Eu recomendo esse filme.  Quero agora ler o livro que a propósito já comecei mas ainda estou na página 60 (tem 700 páginas!! :S) e já pude perceber que nele há muito mais detalhes, o que é normal em filmes adaptados eis que necessitam ser mais enxutos face ao pouco tempo que tudo tem de ser mostrado. Várias lacunas que o filme deixa são explicadas pelo livro, algumas cenas que não havia entendido agora sei do que se tratavam.

 A propósito, a capa do livro é CHOCANTE: a fotografia de um garoto com cabeça de um bicho demoníaco em uma estrada de terra. Tive pesadelos com essa foto, juro! Quem quiser ver clique aqui:

Voltando ao filme ele é bem estruturado com uma trilha sonora nauseante que trata de uma história realista com excelentes interpretações. Duro e impactante, porém, excelente! Assisti e Recomendo!






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